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O PMDB se articula para esvaziar a votação da cassação do deputado Eduardo Cunha (Foto: José Cruz/ Agência Brasil)

Rodrigo Maia pode queimar a massa e a própria biografia

Ao confirmar para o dia 12 de setembro a sessão que votará a cassação do deputado Eduardo Cunha, o novo presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM), preparou a maior pizza de todos os tempos e corre o risco de queimar a massa e a própria biografia.

Em primeiro lugar, porque a data coincide com a posse da ministra Cármen Lúcia no cargo de presidente do Supremo Tribunal Federal. Como é de praxe, a classe política comparece em peso para prestigiar a cerimônia.

Em segundo, que o PMDB se articula para esvaziar a sessão e esta iniciativa já influencia as siglas do Centrão, que sempre apoiaram e se beneficiaram das atitudes de Eduardo Cunha: PP, PSB e PTB.

Em terceiro: é uma segunda-feira.

Fileiras do PMDB já reconhecem que mais da metade de seus parlamentares não deverão comparecer à votação – evitando o desconforto de votar contra o colega de partido ou contra o anseio de toda a sociedade brasileira diante das câmeras de televisão. Nesse contexto, o melhor é não dar as caras. É fazer a pizza e dar o “bolo”.

A “muçarela” será o argumento de que a classe política está em campanha para as eleições municipais e precisam marcar presença em suas bases. Todos alegam que não houve pressão do governo para esta tomada de decisão tão indigesta. Ou seja, houve pressão.

A base aliada já prepara os tomates e o orégano: admitem que podem seguir a solução peemedebista. A estratégia é adiar a decisão para depois de outubro – sem influenciar o voto do eleitor nas eleições municipais.

Entre os quadros do PMDB, somente os deputados  Jarbas Vasconcelos (PE) e Vitor Valim (CE) afirmaram que pretendem comparecer e votarão a favor da cassação de Cunha. Já o deputado Lúcio Vieira Lima (PMDB-BA) faz mistério: “Já tomei minha decisão, mas ainda não é o momento de torná-la pública. Vamos julgar um de nossos pares, tem de ter cuidado”.

Os deputados dos demais partidos – favoráveis à cassação – acham que a “armação” não surtirá efeito e garantem o quórum para que a sessão se realize. Eles acreditam que “os amigos de Cunha”, na verdade, temem que ele abra o “dossiê” e entregue, em pleno período eleitoral, os segredos de cada correligionário que votar pela cassação.

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