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Para piorar, boa parte dos trabalhadores não segue as instruções técnicas para o manejo das substâncias (Foto: Pixabay)

Rio Grande do Sul também é o estado com a maior taxa de mortalidade por câncer

O cenário do câncer no Brasil é preocupante em parte porque o país é líder mundial em consumo de agrotóxicos desde 2009. O noroeste gaúcho é campeão nacional no uso dessas substâncias, segundo um mapa do Laboratório de Geografia Agrária da USP, elaborado a partir de dados do IBGE.

Para especialistas, não há dúvidas sobre a relação entre os agrotóxicos e a doença. “Diversos estudos apontam a relação do uso de agrotóxicos com o câncer”, diz o oncologista Fábio Franke do Hospital de Caridade de Ijuí, no Rio Grande do Sul. Segundo o Instituto Nacional de Câncer, o Rio Grande do Sul é o estado com a maior taxa de mortalidade pela doença. Em 2014, 17,5 mil pessoas morreram de câncer em terras gaúchas, sendo que no país todo foram 195 mil óbitos pela doença.

Para piorar, boa parte dos trabalhadores não segue as instruções técnicas para o manejo das substâncias.  Afinal de contas, muitos não têm dinheiro para comprar luvas, máscaras e óculos. Os malefícios dos agrotóxicos não só acometem os trabalhadores do campo, mas também via alimentação, contaminação da água e do ar.

A Associação Nacional de Defesa Vegetal alega que “toda substância química, sintetizada em laboratório ou mesmo aquelas encontradas na natureza, pode ser considerada um agente tóxico”. Os riscos dependem então das condições de exposição, que incluem: a dose (quantidade de ingestão ou contato), o tempo, a frequência etc.

O fim da pulverização aérea dos venenos, da isenção fiscal para a comercialização dos produtos e o incentivo à agricultura orgânica seriam formas de solucionar o problema. No entanto, estas medidas parecem bem distantes dos objetivos do agronegócio brasileiro.

Opinião & Noticia

Fontes:
Folha de S.Paulo-Alto índice de agricultores gaúchos com câncer põe agrotóxicos em xeque

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