India
Quanto mais extensa a ficha criminal, maior o número de eleitores (Foto: Wikimedia)

Políticos acusados ou condenados por crimes na Índia têm mais chances em eleições do que candidatos ficha limpa

Todo político é um criminoso. Pelo menos é o que grande parte do mundo pensa. Em muitos países, essa máxima seria uma censura, mas não na Índia. Parlamentares indianos que foram acusados ou condenados por corrupção têm três vezes mais chances de vencer em novas eleições do que aqueles que têm a ficha limpa.

Essa curiosa equação é tema do livro When Crime Pays: Money and Muscle in Indian Politics, de Milan Vaishnav, da Fundação Carnegie para a Paz Internacional. No livro, Vaishnav rastreia a história de políticos indianos de grande notoriedade que foram acusados por crimes como assassinato, chantagem, roubo e sequestro.

A constatação é triste: 34% dos membros do parlamento indiano são alvo de ações penais e o número cresce a cada ano. O mais surpreendente é que esses mesmos políticos também registram um grande número de eleitores. Nas últimas três eleições gerais, candidatos com processos criminais tinham 18% de chance a mais de vencer um candidato ficha limpa. Quanto mais grave a acusação, maior o apoio.

A pobreza tem um grande papel nesse contexto, como em quase tudo na Índia. Conseguir que o Estado cumpra suas funções básicas no país é um árduo trabalho que requer muito embate. Logo, quem melhor para representar os necessitados que um político “que sabe como resolver os problemas”? Se o sistema não funciona para você, um político durão pode ser um aliado poderoso.

Os partidos políticos, junto com a lamentável lei de financiamento de campanha indiana, também têm ajudado na ascensão de políticos criminosos. As campanhas são extremamente caras e necessitam cortejar os eleitores com mimos que vão de guloseimas a joias. Os políticos criminosos usam seu dinheiro para encher os cofres do partido, que, por conta disso, os toleram.

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