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Empresas devem assumir a responsabilidade como o preço de seu sucesso (Foto: witchdoctor)

Revista acusa as empresas de tecnologia de ‘fazer o trabalho pelos terroristas’ ao não impedir que eles veiculem suas propagandas

Um artigo publicado na revista Economist alerta para o papel das gigantes de tecnologia no avanço do terrorismo. O texto acusa as empresas de “fazer o trabalho pelos terroristas” ao não impedir que eles veiculem suas propagandas.

“Gigantes da tecnologia, como Google e Facebook, são acusadas de fazer vista grossa para a violenta propaganda online e em outras plataformas que permitem que terroristas se comuniquem fora do alcance dos serviços de inteligência”, diz o artigo.

A revista lembra que, no passado, as empresas de tecnologia foram acusadas de prejudicar os direitos autorais e hospedar sites de pornografia infantil. Hoje, engrossam esse rol de acusações o alastramento de notícias falsas, do discurso de intolerância e do bullying.

“Em todas essas áreas, parlamentares estão exigindo que as empresas de tecnologia assumam mais responsabilidade pelo que aparece em suas redes. Dentro dos limites, eles estão certos. Desde que as redes de comunicação foram criadas, as pessoas as exploram para causar danos. O sistema de telégrafo francês foi alvo de uma fraude em 1834 que levou dois anos para ser descoberta. Telefones foram usados para golpes. A internet, com bilhões de usuários e capacidade de processamento ilimitada, é a mais poderosa rede de comunicação de todas. Estava predestinada a tornar-se foco de infratores”, diz a revista.

Segundo o texto, tal constatação não indica que a internet deve ser alvo de medidas burocráticas nem de censura. Isso porque a isenção das responsabilidades que recaíam sobre os demais meios de comunicação ajudou a criar as atuais empresas de tecnologia.

“Mas o tempo em que as empresas de tecnologia precisavam de apoio há muito passou. Na última década elas se tornaram as empresas mais valiosas do mundo. Conforme seus serviços permearam todos os aspectos da vida cotidiana, a atividade online ganhou mais potencial para causar danos não virtuais”, diz a revista.

Segundo a Economist, as empresas de tecnologia afirmam que a junção de novidade e sucesso comercial faz delas um alvo para parlamentares, alguns deles aparentam ver na regulamentação da internet um caminho mais curto para resolver o problema do discurso de ódio. Ávidas por proteger seu status especial, elas afirmam que o recrutamento online é apenas uma parte da ameaça terrorista. “Além disso, elas dizem que são apenas a plataforma, não a pessoa que publica, e que não são capazes de monitorar tudo”, diz o texto.

O artigo finaliza afirmando que as regras que valiam no início da popularização da internet não servem mais para os dias atuais. “No passado, a tendência das empresas de internet era ‘criar primeiro, para entender as regras depois’. Porém, o argumento do terrorismo e o conteúdo extremista são um claro lembrete de que a era livre e sem lei da internet antiga acabou. As empresas de tecnologia podem achar isso difícil de aceitar. Mas devem, como parte da responsabilidade que vem com seu recém-descoberto poder e parte do preço de seu sucesso”, finaliza o artigo.

Opinião & Noticia

Fontes:
The Economist-Tech firms could do more to help stop the jihadists

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