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A maior ameaça à ideia do Brics não é a falha econômica do quinteto (Foto: deenazaidi)

Bloco das cinco maiores economias emergentes está ameaçado pelo sucesso singular de um de seus integrantes: a China

Os países emergentes passaram por muitas turbulências nos últimos quatro anos. Os protestos de 2013; o colapso do petróleo em 2014; a desenfreada desvalorização do yuan chinês em 2015; e a política indiana de desmonetização (retirada das cédulas de maior valor de circulação) em 2016.

Apesar disso, o ano de 2017 iniciou de forma positiva. Pela primeira vez em dois anos e meio, as maiores economias emergentes do mundo (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, que juntos formam o bloco BRICS) estão crescendo ao mesmo tempo.

De todos os membros, o Brasil foi o que teve o mais prolongado sofrimento. A economia do país encolheu por oito trimestres consecutivos, enquanto o ciclo das commodities se encerrou, uma presidente foi deposta e uma corrupta classe política foi impugnada.

Os escândalos políticos do Brasil estão longe do fim, mas ao menos o clima contribuiu para abrandar o cenário. Generosas chuvas de verão possibilitaram uma colheita recorde de grãos que impulsionaram o setor agrícola levando o PIB a uma alta de 1% no primeiro trimestre do ano, a primeira em oito trimestres negativos.

A retomada do crescimento não afetou a estabilidade dos preços. Em vez disso, a inflação cedeu no Brasil, assim como na Rússia e na Índia. Por enquanto, o membro mais problemático do grupo é a China. Em 2001, ela repniresentava metade do PIB do grupo. Hoje, chega a dois terços. Ela também é o lar das maiores companhias do grupo.

À medida que o mercado chinês cresce e se abre para o capital, o país fica mais próximo de se tornar uma economia de ativos próprios e mais longe de se encaixar em um grupo emergente. Logo, a maior ameaça à ideia do BRICS não é a falha econômica do quinteto, mas sim o sucesso singular de seu maior membro.

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