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A recessão derrubou as vendas da indústria brasileira, e quase metade as empresas do setor não faturam o suficiente para pagar suas dívidas. O percentual de indústrias nesta situação subiu de 33,7% em 2014 para 47,7% em 2015, quando a crise se agravou, permaneceu o mesmo em 2016, e as perspectivas para este ano, mesmo com a queda dos juros, são pouco animadoras. Se nada for feito, e o cenário atual se mantiver, a previsão é que 43,2% das empresas continuem sem caixa para honrar as dívidas.

No entanto, em um cenário em que o faturamento seja igual ao de 2016, apenas com a correção de 4,33% relativa à inflação, e o custo financeiro bruto caia dos atuais 24,1% ao ano para 16% ao ano, a estimativa é que o número de empresas nesta situação fique em 30,1%. As informações estão no estudo da Confederação Nacional da Indústria (CNI) intitulado Financiamento de Capital de Giro para Empresas da Indústria de Transformação, feito pelo Centro de Estudos de Mercados de Capitais (Cemec). O trabalho foi apresentado nesta sexta-feira, 11 de agosto, na reunião do Fórum Nacional da Indústria, em São Paulo.

De acordo com o estudo, a queda no faturamento, provocada pela recessão, trouxe uma série de dificuldades para as empresas. De 2014 a 2016, as vendas e a produção industrial tiveram quedas mais expressivas do que o Produto Interno Bruto (PIB) do país. As vendas no varejo caíram 16,6% de 2014 para 2016 e o PIB industrial registrou retração de 9,9% entre 2014 e 2016, período em que o PIB brasileiro encolheu 7,3%. Conforme o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), desde março de 2014, que marca o início da recessão, até março deste ano, a média móvel de produção da indústria de transformação caiu 19,1%.

JUROS E CÂMBIO

Os problemas se agravaram com a elevação dos juros e a desvalorização cambial. As taxas médias de juros das operações do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) subiram de 7,33% ao ano em 2014 para 11,80% ao ano no primeiro trimestre de 2017. “As fortes oscilações do câmbio, como a elevação de 47% em 2015 tiveram impacto direto no valor da dívida e das despesas financeiras das empresas”, afirma o estudo.

Além disso, a oferta de crédito para capital de giro diminuiu, prejudicando ainda mais a situação das empresas. O total de empréstimos para empresas teve uma queda acumulada em 12 meses de 14,6% na comparação entre fevereiro de 2017 e o mesmo mês de 2016. Na avaliação da CNI, esse quadro compromete a operação diária das empresas, aumenta a inadimplência e é mais um obstáculo para a retomada do crescimento.

O estudo, que já foi encaminhado à direção do BNDES, inclui uma proposta para enfrentar a situação. A sugestão da CNI é a criação de uma linha de crédito, sem subsídios, formada por uma combinação de recursos do mercado e do Progeren, programa do BNDES para financiamento de capital de giro das empresas. Com mais recursos para capital de giro, as empresas terão condições de reequilibrar as finanças, voltar a crescer e criar empregos, argumenta a CNI.

O Fórum Nacional da Indústria é um órgão consultivo da diretoria da CNI, que reúne presidentes de 44 associações nacionais setoriais da indústria e outros líderes empresariais. A reunião do Fórum é coordenada pelo presidente da CNI, Robson Braga de Andrade.

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