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Muitos países consumidores de energia não têm redes de gasodutos para distribuir gás (Foto: Pixabay)

A busca de novos mercados das grandes empresas do setor de produção e distribuição de gás natural liquefeito direciona-se para países em desenvolvimento

O mundo das empresas do setor de gás natural liquefeito (GNL) é superlativo. As descobertas de reservas da Royal Dutch Shell, Exxon Mobil e BP são gigantescas. O custo operacional atinge bilhões de dólares e os projetos demoram quase dez anos para serem concluídos. Durante anos, as empresas exigiram contratos fixos e de longo prazo de seus clientes para justificar o tamanho desses megaprojetos.

Mas a produção do gás de xisto e o início das exportações de GNL pelos EUA reduziram os preços no mercado internacional e forçaram os produtores a fazer concessões em um cenário de declínio da demanda de países desenvolvidos, como o Japão e grande parte da Europa Ocidental.

Por enquanto, a China ainda é uma fonte importante de demanda. Graças aos preços baixos e à política do governo, o consumo de GNL aumentou 50% no ano passado. Mas a produção doméstica de gás está aumentando. A Índia é um problema mais imediato. Em 11 de setembro, a Petronet LNG renegociou um contrato com a Exxon Mobil de fornecimento de gás natural liquefeito da Austrália a um custo menor e com um volume maior por um prazo de dois anos. É a segunda vez que a Índia buscou ofertas mais baratas desde que renegociou um contrato com o Catar em 2015.

Com o declínio da demanda dos países desenvolvidos e da posição mais agressiva das economias emergentes, os grandes produtores de GNL dependem cada vez mais de pequenos países em desenvolvimento. Porém, muitos países consumidores de energia não têm redes de gasodutos para distribuir gás. Nem têm credibilidade para assinar contratos de longo prazo. Por esse motivo, os gigantes do setor de GNL não podem mais pensar em megaprojetos, e sim em projetos com um custo menor e mais flexíveis.

Os terminais flutuantes de armazenamento e regaseificação (FSRUs), como os fabricados pela empresa texana Excelerate Energy, foram uma forma mais barata de fornecimento de gás para cidades costeiras. Devido ao custo menor de construção do que um terminal em terra os FSRUs aumentaram a demanda de gás natural liquefeito no mundo inteiro.

Mas as grandes empresas enfrentam o delicado equilíbrio de serem acusadas de estimular o consumo de combustíveis fósseis em países pobres com um forte potencial de energia renovável. Por outro lado, elas têm a seu favor o argumento que o fornecimento de gás, um combustível menos poluente do que o carvão e o petróleo, atende às medidas de proteção ambiental.

 Opinião & Noticia

Fontes:
The Economist-Global LNG giants turn to poor countries for new markets

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