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O futuro das fábricas de reciclagem de Panipat parece sombrio (Foto: Pinterest)

Referência mundial em reciclagem de tecidos, a cidade de Panipat, na Índia, vive um período de crise

Quando as portas da fábrica Ambey Spinning Mills, em Panipat, a 90 km de Nova Déli, se abrem parece que seu conteúdo vai desabar, como acontece com armários cheios demais. As roupas empilham-se até o teto. Dez mulheres retiram com cuidado zíperes e botões de camisas, paletós e calças jeans com facas longas usadas para cortar legumes. Do lado de fora, um adolescente bate com uma faca em uma fibra sintética estendida em um tronco de árvore. Em outro local, as roupas são cortadas e transformadas em fios tecidos em teares elétricos para fazer cobertores vendidos na Índia e em outros países.

Panipat tem entre 150 a 200 fábricas têxteis, que reciclam roupas que países desenvolvidos do Ocidente descartam como roupas velhas ou fora de moda. Com isso, fabricam tapetes de algodão, tapeçarias, capas de sofá de lã e novas roupas. A indústria têxtil emprega cerca de 20 mil pessoas e gera uma receita anual de US$62 milhões, de acordo com Pawan Garg da All India Woolen and Shoddy Mills Association.

Mas novos materiais, como o poliéster mais barato e leve, têm substituído o algodão e a lã na confecção de cobertores e roupas comprados por grandes atacadistas, como agências humanitárias, ferrovias e hospitais. A tecelagem desses materiais exige máquinas caras que muitas fábricas em Panipat não têm recursos para comprar. O aumento dos custos trabalhistas reduziu as margens de lucro. O fornecimento de energia elétrica precário e os problemas frequentes no funcionamento das máquinas causam prejuízos. Os invernos na Índia estão mais curtos, disse um proprietário de uma fábrica, o que afeta a demanda doméstica de roupas de lã.

As condições de trabalho nas fábricas em Panipat são típicas da indústria têxtil em países em desenvolvimento, como longas jornadas de trabalho, baixa remuneração e uso de mão de obra infantil. Quase todos os operários têm contratos de trabalho temporários e ganham um décimo do salário pago aos trabalhadores do setor formal. As mulheres recebem 120 rupias (US$1,80) por dia para rasgar em torno de 100 kg de roupas. Os trabalhadores vendem acessórios retirados das roupas, mas muitas vezes têm de compartilhar o lucro da venda com os proprietários das fábricas. As dificuldades estão se acumulando e o futuro das fábricas de reciclagem parece sombrio.

Opinião & Noticia

Fontes:
The Economist-Panipat, the global centre for recycling textiles, is fading

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