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Convenço-me mais e mais que o principal programa – de distribuição de renda e justiça social – para o qual a sociedade deve envidar os melhores esforços é o que resulte na manutenção e ampliação de empregos, se possível, com distribuição que contemple todas as regiões do Rio Grande do Norte.

O Ceará, há muitos anos, estimulou a criação de polos regionais e, através do Governo do Estado, prospectou indústrias fortes para cidades no interior. A indústria de calçados é um exemplo de interiorização que vem dando certo por lá.

Na Paraíba, nossa também estimada vizinha, o atual Governo do Estado lançou, recentemente, o parque industrial de confecções de Cajazeiras, no interior do Estado, distante aproximadamente 500 quilômetros de João Pessoa, a capital. O Governador Ricardo Coutinho anunciou, consolidando a iniciativa, a disponibilidade de R$ 6 milhões em crédito; a implantação de um regime fiscal com redução da alíquota de ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços); a disposição de terrenos para a instalação de novas fábricas têxteis; ampliação da formação profissional de jovens; entre outras medidas.

Percebe-se, em síntese, que Ceará e Paraíba estão melhorando o ambiente de produção e, consequência, terão melhores chances para atrair novos investimentos. Estão fazendo o que devem fazer e, portanto, merecem os aplausos de todos nós. Ademais, há uma convergência de atores que integram o esforço do Governo em promover o desenvolvimento. É lógico afirmar que nenhum Governo isoladamente conseguirá girar o círculo virtuoso da economia. Precisa de apoio; reclama comprometimento de todos.

No Rio Grande do Norte, lamentavelmente, a pauta é um tanto diferente. Enquanto Ceará e Paraíba estão destravando portas, estamos assistindo uma ação judicial que pode fechar definitivamente portas e janelas das oficinas de costura que estão sediadas, em maior número, no interior das terras potiguares.

Na última quinta-feira, 05 de outubro, um grupo de jornalistas foi conhecer de perto algumas empresas e seus empregos formais em São José do Seridó e Parelhas. Durante um dia inteiro, tiveram oportunidade de circular e conversar, livremente, com comerciantes, empresários das facções, trabalhadores e prefeitos dessas duas cidades. Foram visitadas duas facções em cada município, sendo que em São José uma fica situada na zona rural, assentamento rural Caatinga Grande, a 8 quilômetros da sede do município.

O nome dado a essa pequena unidade fabril, em pleno semi-árido, enfrentando o 5º ano consecutivo de seca, não poderia ter sido mais feliz: Canaã. Ou terra prometida, como está na Bíblia. Nela trabalham 33 agricultores que ficaram sem ter o que fazer após esses anos todos de estiagens consecutivas. Um repórter perguntou a uma trabalhadora o que mudou na vida dela depois do emprego. A resposta, em sua aparente singeleza, não poderia ser mais impactante: “Antes eu fazia uma feira de R$ 100 por mês, hoje posso fazer de R$ 500.”

Difícil não se emocionar com um depoimento verdadeiro como esse. Só quem já esteve alguma vez desempregado ou vivendo de da informalidade, sabe a importância de ter uma renda certa, com todos os direitos previdenciários, trabalhistas, entre outros, assegurados. O emprego dá dignidade, auto-estima e qualidade de vida. E é por isso que devemos direcionar todo o nosso esforço para aumentar o número de pessoas empregadas. Sobretudo nesse atual momento, em que essa chaga chega a números alarmantes, que nos amedrontam e deveriam nos encher de vergonha.

Amaro Sales de Araújo, industrial, Presidente do Sistema FIERN e do COMPEM/CNI

Publicado na Tribuna do Norte (08.10.2017)

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