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O Seridó já começou a sentir os efeitos do processo movido pelo Ministério Público do Trabalho contra a Guararapes. Com medo do desemprego, que poderá ocorrer em decorrência da saída da empresa da região, os trabalhadores reduziram seus gastos e os empreendedores desistiram de ampliar seus negócios.
Essa nova e imprevista realidade trouxe apreensão e pânico à cadeia produtiva de várias cidades que vivem ou orbitam em função das mais de 100 oficinas de costura, facções, como são mais conhecidas espalhadas pelo Seridó, que empregam cerca de 600 pessoas.
“Ninguém quer fazer contas com essa incerteza”, diz a presidente da Associação dos Faccionistas, Eva Vilma. Proprietária da J.J. Confecções, ela está com um galpão praticamente pronto para entrar em operações, mas decidiu esperar o desfecho do processo contra a Guararapes.
Nesta quinta-feira, 05, as entidades representativas dos empresários (FIERN, Fecomercio, Faern e Sebrae) levaram jornalistas de Natal para visitar facções em São José do Seridó e Parelhas.
Nas duas cidades, o grupo visitou quatro facções. Três na cidade e uma na zona rural. Conversou com os prefeitos das duas cidades, representantes do comércio locais, empresários das facções, trabalhadores e a presidente da Associação dos Faccionistas.
Prefeitos e comerciantes defendem o Pró-Sertão
“Esse programa {Pró-Sertão} foi um incremento para a economia do município que não trabalhava com o ramo da indústria têxtil e dependia das 46 indústrias cerâmicas, hoje só temos 18. A preocupação do MPT deveria ser com tudo o que deu certo”, disse o prefeito de Parelhas, Alexandre Petronilo. Na cidade existem atualmente 13 facções. Ele contou que estava preocupado e defendeu o diálogo entre o MPT e a Guararapes para evitar o pior. “O Brasil precisa manter os empregos”.
São José do Seridó conta com 15 facções que garantem a sobrevivência da população movimentando mais de R$ 700 mil na economia local. A prefeita Maria Dalva afirma que a renda gerada pelo Pró-Sertão é de mais de 60% do Produto Interno Bruto do município e que o setor gera mais emprego do que a Prefeitura. “É 150% a mais do que temos na prefeitura local”, disse.
O comerciante José Medeiros enfatiza que os empregos gerados pelo Pró-Sertão são importantes para toda cidade porque “movimenta do supermercado ao comércio local e até padarias. Assim o dinheiro não sai da cidade, que cresce junto”, afirmou. Segundo ele, a região ressurgiu das cinzas após o ciclo virtuoso do algodão. “Hoje dependemos das facções”, garante.
Empreendedores e trabalhadores temem perdas
“O que tinha eu investi aqui na minha fábrica. Não me vejo trabalhando em outra área, é um desastre”, disse o empresário Ivanildo Santos, da HI confecções, sobre o risco de seu negócio fechar. A empresa gera 30 empregos. José Hércules trabalha na facção há mais de dois anos. Ele recorda a dificuldade que foi encontrar emprego num município carente de oportunidades. “Não sei qual é o propósito por trás de tudo isso. O que sei é que se as facções pararem prejudica a economia da cidade e as famílias”, lamentou.
Empregada há um mês na Facção Araújo Câmara Kelly Ravena, 25 anos, também se refere à dificuldade em conseguir um trabalho na região. Ela mora em Cruzeta e vem trabalhar de moto. “Eu permaneci um ano procurando trabalho e nada me aparecia até que a facção me deu uma chance”.
Mãe solteira de duas crianças a funcionária mora com seus pais, cabendo a ela o sustento da família com o dinheiro que recebe na Facção. “Não sei de onde eles tiraram que nós somos explorados. Trabalho de carteira assinada, recebo o piso e as condições de trabalho são maravilhosas. Aqui não irregularidade do que quer que seja”, afirmou.
Empresária ressalta parceria leal e transparente
A empresária Marionele Medeiros, da Facção “Araújo e Câmara”, tem sua empresa desde 2009, mas só ingressou no Pró-Sertão em 2013. “Nossa parceria é leal e transparente. Desde que iniciamos os trabalhos com o grupo Guararapes tudo é criterioso. O salário dos nossos funcionários é em dia e nós atendemos todas as determinações das leis trabalhistas”, explicou.
Atualmente a facção tem 36 funcionários trabalhando oito horas por dia, além de uma produção de 600 peças por dia. Outro ponto bastante comemorado pelos empregados é o bônus por produção, o que acrescenta em mais de 35% nos salários em caso de “meta batida”.
A “terra prometida” no assentamento de Caatinga Grande
Canãa é termo bíblico que significa “terra prometida”. O nome não poderia ser mais apropriado para denominar a oficina criada pela empresária Anny Fabiola, na comunidade de Caatinga Grande, zona rural de São José do Seridó.
A seca dos últimos dizimou tudo no assentamento rural, situado no semi-árido, a 8 quilômetros de São José. A paisagem, por onde se olha, é desoladora. A oficina representou uma nova vida para os moradores do lugar.
A facção emprega atualmente 33 trabalhadores. “O Pró-Sertão é a esperança desta comunidade, são famílias que daqui tiram sua renda muitos vieram da agropecuária que foi dizimada pela seca”, explicou Anny Fabíola.
Os ex-agricultores Joelson Dantas, 37 anos, Anderson Dantas, 19 anos, e Joilma Dantas, 32 anos, são da mesma família e trabalham na oficina. Joilma tem três filhos e conta que o marido sobrevive de “bicos”. Ela trabalha há dois anos na “Canaã”. Perguntamos o que mudou na vida dela depois do emprego. “Antes eu fazia uma feira de R$ 100 por mês, hoje posso fazer de R$ 500”, respondeu ela, que considera a oficina a sua “segunda casa”

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